Psicopatas na Hotelaria.

Published by: Rossana Spena on 8th Mar 2010 | View all blogs by Rossana Spena

    Pode parecer estranho falar de Psicopatas na Hotelaria, porque quando ouvimos ou falamos a palavra, nossa mente nos remete aos assassinos em série ou a grandes criminosos. Se você acha que Psicopata é somente aquele que mata outras pessoas, está enganado. Você pode estar trabalhando ao lado de um e correndo sério risco, não de morrer, mas de ser prejudicado.

    Estatísticas indicam que 3% da população são de psicopatas. Pode não parecer muito, mas, se pensarmos em um hotel com 250 funcionários, de sete a oito são psicopatas, e alguns não matam nem baratas.

    Segundo Robert Hare, estudioso do assunto, o número de psicopatas burocratas é importante no meio empresarial. Com perfil sedutor, os psicopatas corporativos tendem a ocupar lugares de destaque e liderança e chegaram aí, geralmente, por meios pouco ortodoxos. Não quero dizer que todos os líderes e executivos, ou somente eles, têm esse perfil, até porque, graças a Deus, ainda existem pessoas boas no mundo. Esses indivíduos destacam-se por sua popularidade, facilidade de comunicar-se, alto conhecimento “aparente” de determinado assunto.  São sempre populares, bem relacionados, vestem-se de forma a impressionar e têm uma estratégia bem definida para alcançar seus objetivos. A característica mais importante é a falta de sentimentos e arrependimentos, são frios e calculistas em suas atitudes, mas na maioria dos casos isso passa despercebido por todos. Desafio você, leitor, a revirar seus arquivos mentais. Com certeza você já presenciou comportamentos como os descritos a seguir:

Joana chegou com quinze minutos de antecedência para sua entrevista naquele hotel de Copacabana. Entrou pela portaria de serviço, meio a contra gosto, porém, sabia que era necessário e que seria por pouco tempo.

No departamento de Recursos Humanos, já causara boa impressão por estar adiantada. Seu futuro entrevistador já estava impressionado por seu currículo. Joana era jovem, mas já havia trabalhado em bons hotéis e em cargos de liderança. Com MBA, pós-graduação, fluência em quatro idiomas, dentre eles Árabe e Alemão, quando perguntada por quê havia ficado de um ano a um ano e meio nos hotéis, com sua eloqüência explicava que recebia convites de outros hotéis e acabava aceitando novos desafios. Sedutora e simpática, conquistou seu entrevistador, que não fez muitas perguntas, nem sequer procurou saber da total veracidade do currículo.

A primeira providência de Joana foi fazer alianças, de preferência com pessoas influentes. Estava sempre disponível para ajudar, sorridente e demonstrando bastante conhecimento, porém, quando as conversas se aprofundavam em determinados assuntos, Joana, magistralmente, encontrava uma forma de desviar o assunto para algo mais interessante. Todos no hotel já a conheciam e em seis meses, já procuravam por ela para resolver questões. Sempre se dizendo atarefada demais, pedia um tempo e, sem que ninguém percebesse, passava a tarefa para um colega apresentando os resultados como se fossem seus.

Na primeira oportunidade, promoveu um jantar em sua casa para comemorar seus seis meses de empresa, convidando aqueles que a interessava. Como bons hoteleiros que adoram confraternizar, todos aceitaram o convite e em meio a muito vinho, Joana pôde colher todas as informações que precisava para continuar sua estratégia. Seu objetivo era ocupar o lugar de seu Diretor. Mas como? Ele era respeitado e admirado por seu trabalho. Não seria tarefa fácil.

Na manhã seguinte, a primeira providência foi arrumar os arquivos do escritório de seu chefe, a fim de encontrar documentos ou falhas comprometedoras. Nada conseguiu.

A saída seria criar um problema envolvendo alguma questão financeira, pois de um furo financeiro, poucos escapam.

Assim o fez. Encontrou uma maneira de dificultar o fechamento correto de uma conta pré-paga muito grande, escondeu evidências que facilitassem outros encontraram a falha e quando a situação piorou, apresentou a solução, saindo como heroína. Seu Diretor obviamente foi demitido acusado de desviar dinheiro e receber comissões. Joana assumiu o cargo.

Importante mencionar que Joana já se tornara o braço direito de sua vítima. Fazia tudo para facilitar o trabalho, mas na verdade, queria “esvaziar” as tarefas dele, torná-lo dispensável à vista de todos. Toda oportunidade que tinha, conversava com os pares desse Diretor e encontrava formas de dizer a todos que tudo o que ele apresentava, ela era que fazia. Alcançou seus objetivos por falta e atenção e cuidado daqueles à sua volta.

Um dia chegou um grupo de Árabes no hotel. Procuraram por Joana, mas ela havia dado um jeito de sair para alguma reunião fora do hotel. Com o tempo, os outros Diretores foram percebendo sua falta de conhecimento em alguns assuntos, mas ao ser questionada, Joana mudava de assunto, fazendo-se de vítima com alguma história triste ou dizendo-se ocupada demais para certas conversas. Envolvendo sempre a todos, entediou-se e saiu à procura de sua nova vítima e em pouco tempo já estava à busca de uma nova promoção.

    Para livrar-se deles, desconfie de currículos impressionáveis, cuidado com pessoas que puxam o saco de todo mundo e que se colocam como a solução da lavoura, não participe das fofocas e intrigas e na dúvida, siga seu coração.

    Então? Conhece alguém no seu hotel com esse perfil? Cuidado, você pode ser a próxima vítima. Fique atento.

 

 

 

 

 

 

 

Comments

4 Comments

  • Emerson Fonseca
    by Emerson Fonseca 4 months ago
    Muito bem lembrado ,voce tem razão a palavra psicopata nos leva institivamente a pensar em outros padrões comportamentais e nos esquecemos , por desinformação e ou conhecimento dos psicopatas corporativos tão nocivos a um desenvolvimento saudável de team work , produtividade e de desenvolvimento de carreira sustentável . Tambem nos leva a pensar que RH tem a obrigação de cada vez mais , não só conhecer, mais utilizar todas as ferramentas necessárias, sejam entrevistas bem direcionadas, testes psicotécnicos , grafológicos , dinamicas em grupo , entrevista com todo comite executivo para cargos de confiança e checagem minuciosa do cv afim de se certificar da exatidão das informaçòes.
    Desta maneira certamente poderemos investir em pessoas corretase certas evitando perda de tempo ,dinheiro , treinamento e energia da companhia. Ah não podemos deixar de aproveitar a oportunidade do blog para ficarmos ligados e atentos aos psicopatas da vida tambem ,que as vezes se apresentam a nós de várias formas.
    Fé em Deus olhos abertos e PÉ NA TÁBUA como diria minha velha avó
  • Rui Ventura
    by Rui Ventura 4 months ago
    Como sempre ou a gente comenta antes ou o nosso Amigo Emerson Coloca as coisas no seu devido lugar. Efetivamente hoje o psicopata parece ter se especializado em ser até "bonzinho" precisamos largar paradigmas e prestar muita atenção em quem e porque nos rodeiam. O Artigo de nossa colega no alerta, já que todos estamos sujeitos a esse tipo de personagem vindo muitas vezes na hora certa sabe-se deus de onde.
  • Valéria Romão
    by Valéria Romão 4 months ago
    Inteligência, carisma, ambição, disposição para enfrentar desafios, espírito de liderança são qualidades, na grande maioria das vezes, desejáveis em funcionários, executivos e gestores. Mas e quando pessoas com essas características conseguem esconder que também são extremamente racionais, egoístas, mentirosas, invejosas, sem empatia ou sentimento de culpa?
    Estamos falando do perfil de um psicopata.
    Um dos primeiros a lançar luz nesse assunto dentro das empresas foi Robert Hare, um psicólogo,que escreveu o livro "Snakes in Suits - When psycopaths go to work" que traduzindo seria, Cobras de Terno - Quando os psicopatas vão para o trabalho (ainda inédito no Brasil).
    No livro, você verá uma ou duas características citadas em pessoas ao seu redor – mas, como é enfatizado - deve existir um padrão repetitivo de vários daqueles sinais para que você tenha a certeza de estar lidando com um deles. (…) Aí está o verdadeiro benefício deste livro – dar a você as ferramentas para fazer o diagnóstico prévio, ou então à medida que a situação se desenrola – e não após o fato. Desse modo, você poderá se proteger das maquinações do psicopata corporativo.
  • Adriano Antonio
    by Adriano Antonio 4 months ago
    Sensacional o artigo. Primeiramente devo repetir aqui as palavras do Rui que dizem "ou a gente comenta antes ou o nosso Amigo Emerson Coloca as coisas no seu devido lugar".
    Mas é realmente impressionante como temos pessoas com essas características ao nosso redor e nem nos damo conta. As qualidades nos encantam tanto que ofuscam os defeitos.
    E o mais interessante é perceber que os psicopatas atacam em todas os níveis e não somente na busca por elevados postos funcionais.
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