Mar 27th

As refeições os exageros e proporções a guardar:

By Rui Ventura
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Refeições parecem sempre demasiado copiosas, pelo menos na minha modesta apreciação. Em minha opinião, deveríamos sair da mesa sentindo que poderíamos comer mais um pouquinho. Um único prato quente por refeição parece-me suficiente, mesmo em se tratando de um grande jantar.
Uma anfitriã que apresente um único prato quente, mas bem-feito, pode estar certa de satisfazer os convidados. As refeições que incluem hours-d’oeuvres quentes, um prato de peixe quente, um prato e carne quente, e uma dessas absurdas sobremesas quentes! Ainda mais que dão um trabalho enorme, e não há nada mais triste para os convidados do que ver a anfitriã extenuada, após um dia inteiro na cozinha, não podendo acompanhá-los à mesa, obrigada a ir verificar os pratos que preparou... Ela precisa aprender a se limitar, não tentando concorrer com os cozinheiros profissionais, que além de terem toda uma estrutura para o preparo de cada uma das iguarias necessárias, se preparam às vezes toda uma vida para isso. Se a pessoa quer ir a um restaurante, que vá. A dona-de-casa deve procurar um menu mais simples e não chegar à mesa cheirando a frituras... É preferível que ela sirva aquele suflê de queijo que sabe preparar como ninguém, seguido, por exemplo, de um patê de foi gras.  Mas a regra geral é que escolha pratos que possam ser preparados antecipadamente, a fim de estar descontraída ao ir para a sala de jantar. Permitam-me deixar outro conselho PR as donas-de-casa: continuem a preparar aqueles pratos que tão bem faz. Aprendam a preparar realmente muito bem três ou quatro pratos, como o inesquecível suflê de queijo, um admirável gratinado de batatas. Se, além disso, souberem preparar uma ave ao creme de leite, ou assar um belo pernil a partida está ganha!
Mar 27th

Dos Processos de Cozimento

By Rui Ventura
Já Vimos como elaborar Cardápios eficientemente, Já fizemos compras cedinho para aproveitar os melhores produtos, aprendemos o quanto comprar e tivemos a introdução à NOVA COZINHA. Vamos Agora começar a cozinha, que tal? 


Dos Processos de Cozimento:
Os processos de cozimento dos alimentos são cinco:
 - Assado na brasa, pouché, cozimento na panela, o assado, o grelhado, maneiras bem diferentes tanto no tratamento dado, quantos nos resultados, que oferecem à cozinha recursos saborosos e infinitos.
O Assado na Brasa – aplica-se de preferência a peças de carne volumosas, quase sempre postas em escabeche durante 5 o 6 horas, e muitas vezes lardeadas. Nesse caso, a peça é posta a escorrer, é enxuta, colocada sobre o fogo e tostada em manteiga ou outro tipo de gordura, regada moderadamente com o escabeche e um complemento de molho de vitela ou caldo e carne. O recipiente é tampão hermeticamente e o cozimento a fogo muito lento.
O Pouché – É o processo de cozimento em um líquido mais ou menos abundante e em ebulição quase imperceptível.
O Cozimento na panela – é uma forma de cozinhar em fogo brando, sem outro molho senão o da manteiga utilizada para preparar a peça e a exsudação natural do alimento. Depois de dourá-lo, fecha-se a panela hermeticamente, regando-se várias vezes. Ao terminar a cocção, teremos um verdadeiro molho concentrado.
O Assado pode ser no forno ou no espeto, - sendo este último método incontestavelmente superior. Em ambos os casos, há a concentração de calor, refluxo dos sucos para as partes centrais da peça em cozimento, criação de uma crosta externa tostada, a qual conserva presos os sucos que, por um fenômeno inverso, impregnarão todos os tecidos quando o assado não estiver mais submetido à ação do fogo. Durante processo do assado, recomenda-se aspergir freqüentemente a carne com a gordura,mas não com molho do assado.
O Grelhado obedece às leis culinárias dos demais assados: - Tostadura das carnes expostas ao fogo livre, concentração dos sucos nutritivos. O segredo consiste em saber coordenar, a intensidade do fogo, a rapidez, maior ou menor, da exposição ao calor, com o volume e a espessura da peça colocada sobre a grelha. A Carne assada na grelha é virada só uma vez e com um pazinha, nunca com um garfo ou instrumento perfurante, o que ocasiona o escoamento do suco.

Os guisados, os soutés, e as frituras são derivados esses processos fundamentais. As explicações teóricas virão a seu tempo. 
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Mar 17th

A Nova Cozinha

By Rui Ventura


É Comum ser perguntado sobre o que chamamos de Nova Cozinha, - Querem saber tudo o que é possível sobre ela. No fundo a nova cozinha nada mais é que a verdadeira cozinha, levada a sério e que prima pela qualidade dos alimentos escolhidos, carnes, peixes, legumes quanto mais frescos melhor ou encontrem-se alternativas. Como vimos o mais importante é escolha correta dos produtos a serem usados. Nesse campo, não e deve facilitar e sim pesquisar sempre o que há de melhor para termos certeza de que é do melhor e com melhor que vamos elaborar nossos pratos. Isto vale para um pequeno restaurante à beira da estrada, ou o de mesa altamente sofisticada, ou e escolher Pescada ou Salmão, é preciso procurar melhor pescada, o melhor salmão, originário de Adour, da Bretanha ou até mesmo da Irlanda. E isto vale também para a dona-de-casa.

Um dos princípios da cozinha moderna é deixar que as coisas tenham o seu sabor próprio, valorizando o gosto original as comidas. Na antiga cozinha, as razões eram mais “ilusórias,” do que culinárias. Na Nova Cozinha, tudo tem a sua razão de ser, Tomemos, por exemplo, uma das especialidades do pai desta maravilha, “Bocuse” O Loup em courte Nada mais é que um: (namorado com massa folhada), recheado com mouse de lagosta. O Peixe é envolto na massa, mas a pessoa não é obrigada a come-la, pois ela só faz parte do prato para conservar o aroma do peixe. Tampouco é obrigado a comer o recheio, já que o papel deste é manter certa umidade, uma vez que o peixe tem tendência a secar... Os adeptos da nova cozinha seguem outras regras, que já indiquei por alto, como, não organizar o menu previamente e sim ir de manhã ao mercado, e de acordo com o que encontrar de melhor programar o que será feito. Isto acarreta automaticamente a necessidade de simplificar, de tornar os menus mais leves. Não são necessários todos esses molhos, escabeches e o sem número de preparativos... O Grande Fernand Point suprimiu, desde antes da guerra, os molhos, os pratos complicados, demasiado substanciosos, guarnições que eram de lei na cozinha do século XIX. Tal simplificação no preparo os pratos repercute igualmente no tempo de cozimento. Os peixes, por estranho que pareça, devem ser servidos rosados junto à espinha. Quase sempre são cozidos demais! As vagens devem estalar sob os dentes, e s massas devem ser firmes.

Dizia um renomado mestre: ”só se cozinha bem com amor, na medida em que se deseja, acima de tudo, criar em torno da mesa uma atmosfera de amizade e fraternidade entre os homens.” Isso me parece essencial: Tanto a dona-de-casa, quanto o grande chefe só devem preparar os pratos que gostam de fazer. Quando a dona de casa prepara, por exemplo, um frango au cury é preciso que esteja convencida de que está fazendo realmente algo DIVINO e acima de tudo com muito amor. Acho que a cozinha não difere muito de tudo o que temos que fazer na vida, ou se faz com amor, ou melhor, fora que não se faça. Outro ponto em que não é mau insistir: Quando cozinhamos é bom deixar sempre uma pequena margem para a improvisação. Dizia um grande regente de orquestra:”quando executamos em público uma obra muito ensaiada, deixamos sempre lugar para a imaginação, para a improvisação.” Da mesma forma a dona-de-casa, devi convencer-se de que não devemos levar uma receita ao pé da letra e que se pode, à última hora e apenas por motivos de provisões à mão, substituir um produto por outro...Se a dona de casa resolveu por exemplo preparar um Coq-au-vin (frango ao vinho) e não tem toucinho e cebolas, isso não deverá fazer a menor importância, já que realmente não faz. Se o frango e o vinho forem realmente de primeira qualidade e o sal e a pimenta estiverem perfeitos, pode substituir as cebolas por alho-poró ou cebolinha branca. Sobretudo ela não deve ficar submetida ao livro. Pelo contrário, tome iniciativas (e porque não) corra alguns riscos.Mesmo que ela não pretenda ter dons especiais, o simples fato de tentar uma receita, de fazer um prato, é sinal de que tem vontade de prepará-lo.Portanto isto por si só lhe permite certa margem de criatividade.de fantasia, sob a condição, naturalmente, d não sair da linha e do bom senso...Em minha opinião, são estas algumas as características da nova cozinha, e muito me orgulho de tornar conhecidas estas tradições culinárias, renovadas pelo mundo, aos profissionais que se atualizam constantemente e porque não às donas-de-casa que gostam de exercitar seus dotes culinários, as que não gostam há sempre um restaurante por perto onde os profissionais já entenderam que tudo começa pela escolha dos produtos mais frescos e de melhor qualidade.

O que podemos seguir ao pé da letra num livro de receitas?

O Tempo de cozimento mesmo assim, há controvérsias!!!rsrs. Tudo o resto é relativo, senão vejamos: Uma dona-de-casa pode ter um forno que alcance os 230º, mas o mais provável é que este nunca passe dos 180º. A única informação que pode ser levada totalmente a sério é quando se lê “deixar ferver durante 10 minutos”, Aí, a dúvida é impossível! Mas num forno nunca se tem a certeza do grau de calor reinante. Se colocarmos uma ave no forno, ela não assará da mesma maneira de que se fossem três. Quando se colocam três aves o forno, a temperatura baixa. De modo geral convém à pessoa certificar-se da capacidade de aquecimento do forno. Isso sim é essencial.
Mar 15th

A Cozinha e os bons Menus levados a sério:

By Rui Ventura

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 Não esqueça é para elaborar após as compras

Todas as manhãs – O responsável pela elaboração deve começar invariavelmente pelo mercado ou praça locais e perambular por entre seus boxs e ou bancas. Comprar os produtos com os quais fará os quitutes do dia é em posse destes ingredientes que nascem os melhores menus e também os exclusivos onde cada dia há um sabor saindo assim da maçante mesmice que além de outras coisas afugenta os clientes.

Esta prática nos dá o conhecimento de quem trás sempre que tipo de produto e a sua qualidade, já que o frescor e a qualidade são fatores inalienáveis para a confecção de bons pratos – É isto, que em minha opinião, faz a boa cozinha.

Outra coisa que temos que levar em conta a elaboração dos menus, é a estação do ano em que nos encontramos. Cada estação tem as suas peculiaridades, os seus produtos e assim elaboram-se menus com produtos da época o que nos trás principalmente duas grandes vantagens, O sabor vindo do frescor dos produtos de época. E o fator custo já que os produtos de época teem sempre preços mais convidativos.

Toda e qualquer receita tem outro sabor quando se seguem estas pequenas regras.

Sem medo de errar, afirmo que, mesmo se o preparo do prato mais sofisticado, não der totalmente certo a primeira tentativa, tampouco será um fracasso completo, caso tenha sido feito com produtos de primeira. Essa é uma das verdades de La Palice – mas que todo o mundo parece esquecer. Em suma, para se obter sucesso com um prato, o método e a arte contam (claro!), mas a escolha dos produtos no mercado é com certeza de primordial importância.

Ouço dizer, desde a dona de casa a compradores (despreparados): mas não se encontra nada decente no mercado hoje em di? Para onde quer que olhemos se ouve dizer que já não se encontram bons produtos. Ora já em 1908, o autor de um livro de cozinha se queixava de que não havia bons produtos e, em 1860,os irmãos Goncourt afirmavam que a carne perdera o sabor! Assim, poderíamos facilmente voltar ao século XVIII e organizar um catálogo completo de queixas culinárias!!!! (desculpas, aquelas mesmas que teem por fim fazer com que nossos objetivos não sejam atingidos.

Quanto a mim, embora correndo o risco de surpreender, direi que, em 2011, podemos encontrar os melhores produtos do Mundo, não importa onde, graças, entre outras coisas, aos meios de transporte modernos. Para encontrá-los, basta dispor de algum tempo, (como sempre digo, este Deus nos dá de graça), olhar bem e passear pelo mercado, e principalmente ter em mente que não se vai ao mercado comprar para fazer isto ou aquilo, vai-se ao mercado e com os produtos bons e frescos da época ali adquiridos, se decide o que fazer. O problema é que meus contemporâneos parecem perder aos poucos o sentido do desenrolar do calendário, do rito, do cerimonial, das particularidades próprias de cada estação.

Isto posto, entendemos que a dona de casa a cozinheira, o cozinheiro profissional o responsável pela elaboração de menus conscientes não deve abrir um livro de receitas e procurar o que fazer. Antes deve ir ao mercado ou à feira onde poderá escolher os produtos mais frescos e de melhor qualidade, então sim procure uma receita onde possa utilizá-los, este processo nos deixa muito mais perto do sucesso em qualquer circunstância.